Na Pontinha do Pé

quinta-feira, outubro 06, 2005

Na pontinha do pé... por este São Paulo fora!

Pois, pois... este São Paulo é uma “selva de betão e vidro”, como descrevia Hong Kong a minha amiga Xica. Mas n tem nada a ver com Hong Kong.
Aqui as cores que predominam são os verdes tapados de cinzento! Cinzento do fumo, cinzento da poluição, cinzento das estradas de alcatrão, cinzento dos passeios alcatroados, cinzento dos prédios de cimento, cinzento do céu que n se decide em abrir, cinzento dos prédios de vidro e que reflectem a cor do céu, cinzento dos carros cinzentos, cinzento dos carros que não são cinzentos mas que ficam cinzentos de sujidade! E os verdes já não são muitos, e os poucos que há estão cobertos com uma névoa cinzenta!
Às vezes penso, “coitadas das árvores! No meio de tanta poluição,nem devem conseguir respirar!”, mas não, elas devem ser felizes! Afinal de contas, não são as árvores que “respiram” CO2??
Hehe, já cá falta o Alberto Caeiro a dizer que as coisas são coisas, e não sentem, pq se sentissem não eram coisas, mas pessoas! E mais, chamar-me-ia de doida...

[...]

Os poetas místicos são filósofos doentes,
E os filósofos são homens doidos.

Porque os poetas místicos dizem que as flores sentem
E dizem que as pedras têm alma
E que os rios têm êxtases ao luar.

Mas as flores, se sentissem, não eram flores,
Eram gente;
E se as pedras tivessem alma, eram cousas vivas, não eram pedras;
E se os rios tivessem êxtases ao luar,
Os rios seriam homens doentes.
[...]
Escusado será dizer que tenho andado a ler Alberto Caeiro. QQ dia escrevo sobre ele, sobre a sua obra, que é “difícil de engolir”.
Adiante, continuando com São Paulo, tenho pensado que esta cidade é bem diferente das outras: em outras cidades, tipo Lisboa, sempre que estou dentro de casa, entre quatro paredes sem graça, mal posso esperar por sair e passear pelas ruas, ver casas bonitas, ver o sol e paisagens, ver as sombras que dão graça aos prédios...; aqui em São Paulo, embora os prédios não tenham graça,embora as ruas sejam perigosas para passear, embora o sol não apareça, por entre cada quatro paredes existe uma outra vida, entre teatros e exposições, galerias e restaurantes, igrejas e exposições, feirinhas e mercados... E a minha sorte é estar acompanhada pela Vera e pelo Dr. Isídio, pela Isa e pela Béu, pela Tia Janet e pelo Sr. Martins, que me têm levado a conhecer os lugares mais típicos, e que me têm mostrado como é viver (à não-turista) em São Paulo.

1 Comentários:

  • Beeeem, Tança Maria!! O Brasiu abriu-te a veia poética!! Ou será que foi o Caeiro? :)

    Bjs da AMIGA XICA!! :)

    Por Anonymous Anónimo, Às 11 outubro, 2005 07:14  

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