Morreu o Sr. João!
Queridos amigos,
Sabem quer era o Sr. João? Lembram-se dele? Pois, poucos se lembrarão, porque pouca gente o conhecia.
O Sr. João era um desses velhotes que mora num dos últimos andares dos prédios velhos da Baixa. Um senhor sem família, doente, e que mesmo assim saía todos os dias arrastando as suas pernas doentes da melhor forma que conseguia até à Junta de Freguesia tratar de uns papéis; até ao Hospital ver a doutora; até à farmácia rabujar com o farmacêutico e dizer-lhe que não gostava de tomar remédios, que toda a vida trabalhou numa farmácia e sabia que metade desses remédios eram aldrabice; até ao lar almoçar e buscar o que nessa noite jantaria; até à Igreja e S. Nicolau para lanchar no convívios da 3a idade e conversar com quem lá estivesse.
Foi lá que o conheci, nas minhas visitas quinzenais a estes velhotes abandonados na nossa Lisboa. Foi lá que ouvi as histórias da sua vida, que soube das feridas nas suas pernas que não queriam sarar, foi até lá que o convenci a deixar crescer a barba, fininha e branca, para fazer o papel de Pai Natal no teatro de Natal :D
Nos últimos 3 (ou 4?) anos a Maria Carlos e a Inês têm-se ocupado dele, fazendo-lhe visitas semanais, na sua casa ou fora dela, tomavam chá, conversavam sobre tudo e sobre nada, e descobriram neste senhor um homem muito educado e culto, que lia os jornais “até ao tutano”, rodapés, anúncios de tudo, apenas porque o que mais gostava de fazer era ler, mas o dinheiro nem dava para comparar o jornal...
Um senhor que se preocupava com os outros e que gostava tanto da juventude. Embora fosse dos que mais lhe custasse andar, recebeu-nos em sua casa (onde nem uma cama cabia: ele dormia sentado encostado à parede) com um grupo de Taizé qd vieram a Lx por ocasião do encontro na passagem de ano; era o único senhor que se deslocava na véspera de Natal até à casa de Santo António para não passar a noite de 24 de Dezembro sozinho, e ria com todos e tinha conversas para todas as idades, tanto para estudantes, como para adultos, como para estas mães que não passam de crianças que foram obrigadas a crescer cedo de mais!
Um senhor que se preocupava muito comigo e com o Diogo Alvim, que o animávamos nas tardes de 4a feira, que organizávamos as festas de máscaras no carnaval, as trocas de presentes e os teatros no Natal, trazíamos água pé e castanhas cozidas com erva-doce no S. Martinho, tocávamos acordeão nos Santos Populares..., com a Maria Carlos e com a Inês, que eram as meninas dos seus olhos, por quem sempre me perguntava sempre que me via e, se eu não sabia notícias muito recentes, ele dava-me as últimas novas das vidas destas suas meninas que fazaim por o encontrar todas as semanas... com a Margarida Saquete, “a sua advogada”, que o ajudou a tratar dos seus sarilhos... com o Pedro Palma, com quem passava as vésperas de Natal... com todo o MSV, que o fazia subir aquelas escadas a pique da R. de S. Julião para participar em festas, ou simplesmente para ter companhia...
Hj recebi a notícia que o Sr. João morreu, não se sabe bem como, mas parece que foi na segunda-feira passada (há uma semana). A Maria e a Inês só souberam da notícia hj, qd o iam visitar.
Obrigado a elas as duas por estes anos de alegria que proporcionaram ao nosso querido Senhor João.
O MSV vai celebrar uma Missa agradecendo a sua vida na Segunda, dia 17 de Outubro, às 19.15h, em S.Nicolau. Se alguém puder ir, mesmo que não o conhecesse, serão bem vindos, e assim poderão dizer por mim:
“Adeus Senhor João”!
Sabem quer era o Sr. João? Lembram-se dele? Pois, poucos se lembrarão, porque pouca gente o conhecia.
O Sr. João era um desses velhotes que mora num dos últimos andares dos prédios velhos da Baixa. Um senhor sem família, doente, e que mesmo assim saía todos os dias arrastando as suas pernas doentes da melhor forma que conseguia até à Junta de Freguesia tratar de uns papéis; até ao Hospital ver a doutora; até à farmácia rabujar com o farmacêutico e dizer-lhe que não gostava de tomar remédios, que toda a vida trabalhou numa farmácia e sabia que metade desses remédios eram aldrabice; até ao lar almoçar e buscar o que nessa noite jantaria; até à Igreja e S. Nicolau para lanchar no convívios da 3a idade e conversar com quem lá estivesse.
Foi lá que o conheci, nas minhas visitas quinzenais a estes velhotes abandonados na nossa Lisboa. Foi lá que ouvi as histórias da sua vida, que soube das feridas nas suas pernas que não queriam sarar, foi até lá que o convenci a deixar crescer a barba, fininha e branca, para fazer o papel de Pai Natal no teatro de Natal :D
Nos últimos 3 (ou 4?) anos a Maria Carlos e a Inês têm-se ocupado dele, fazendo-lhe visitas semanais, na sua casa ou fora dela, tomavam chá, conversavam sobre tudo e sobre nada, e descobriram neste senhor um homem muito educado e culto, que lia os jornais “até ao tutano”, rodapés, anúncios de tudo, apenas porque o que mais gostava de fazer era ler, mas o dinheiro nem dava para comparar o jornal...
Um senhor que se preocupava com os outros e que gostava tanto da juventude. Embora fosse dos que mais lhe custasse andar, recebeu-nos em sua casa (onde nem uma cama cabia: ele dormia sentado encostado à parede) com um grupo de Taizé qd vieram a Lx por ocasião do encontro na passagem de ano; era o único senhor que se deslocava na véspera de Natal até à casa de Santo António para não passar a noite de 24 de Dezembro sozinho, e ria com todos e tinha conversas para todas as idades, tanto para estudantes, como para adultos, como para estas mães que não passam de crianças que foram obrigadas a crescer cedo de mais!
Um senhor que se preocupava muito comigo e com o Diogo Alvim, que o animávamos nas tardes de 4a feira, que organizávamos as festas de máscaras no carnaval, as trocas de presentes e os teatros no Natal, trazíamos água pé e castanhas cozidas com erva-doce no S. Martinho, tocávamos acordeão nos Santos Populares..., com a Maria Carlos e com a Inês, que eram as meninas dos seus olhos, por quem sempre me perguntava sempre que me via e, se eu não sabia notícias muito recentes, ele dava-me as últimas novas das vidas destas suas meninas que fazaim por o encontrar todas as semanas... com a Margarida Saquete, “a sua advogada”, que o ajudou a tratar dos seus sarilhos... com o Pedro Palma, com quem passava as vésperas de Natal... com todo o MSV, que o fazia subir aquelas escadas a pique da R. de S. Julião para participar em festas, ou simplesmente para ter companhia...
Hj recebi a notícia que o Sr. João morreu, não se sabe bem como, mas parece que foi na segunda-feira passada (há uma semana). A Maria e a Inês só souberam da notícia hj, qd o iam visitar.
Obrigado a elas as duas por estes anos de alegria que proporcionaram ao nosso querido Senhor João.
O MSV vai celebrar uma Missa agradecendo a sua vida na Segunda, dia 17 de Outubro, às 19.15h, em S.Nicolau. Se alguém puder ir, mesmo que não o conhecesse, serão bem vindos, e assim poderão dizer por mim:
“Adeus Senhor João”!

1 Comentários:
Soube hoje da noticia do sr. Joao...Tambem nao vou poder ir a missa, pelo menos em S. Nicolau. Mas queria deixar aqui a recordacao de varias conversas, da vez que por acaso o encontrei a passear nas ruas da Baixa e me disse logo:"a menina e amiga da ines e da maria n e?"... do lanche de natal em que sem querer lhe parti o anjinho q tinha ganho na troca de presentes... e da ultima vez que o vi, por acaso no meu dia de anos, no arraial do MSV. Um beijinho especial para a Ines e a Maria que tanta dedicacao lhe deram. Vamos sentir a falta do Senhor Joao!ele ja era um msvista...
Por
Anónimo, Às
11 outubro, 2005 03:55
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