Na Pontinha do Pé

sexta-feira, outubro 14, 2005

Na pontinha do pé... até à feirinha da Liberdade

Espalhadas por São Paulo, nos Domingos de manhã, encontram-se várias feirinhas das mais variadas coisas. A feirinha da Av. da Liberdade, tb no centro, encontra-se num bairro de japoneses, e são eles mesmo que vêm para a rua e montam barraquinhas para vender as suas bujigangas. Isso mesmo, é uma feirinha de tudo. Desde quadros e pinturas, a artesanato dos mais variados materiais; kimonos e sedas (da tanga!); brincos, pulseiras, cintos e colares de sementes, bem à brasileira; animais feitos de arame enrolado para pendurar no tecto; cata-ventos; porta-chaves; loterias; candeeiros de papel coloridos; plantas de todo o tipo; bordados.... porcarias! E junto com tudo aquilo, numa das pontas do mercado, uma rua de barracas de comida orientalo-brasileira, na maioria frita, que é feita ali mesmo à nossa frente, que eu vi, cheirei, suei com aquele fumo... mas n tive coragem de comer!!
Duas cenas engraçadas se passaram: uma delas foi um sr japonês, com os olhos mt em bico e sem pálpebras, que mal falava o brasileiro, era bem velhote e lixava avidamente uns pauzinhos de madeira, uma mais tortos, outros menos. Numa tentativa de expressão em português entendi ele explicar a uma compradora que se tratavam de cotonetes e limpadores de língua. E nos gestos que ilustravam tão completa explicação, percebi como se raspa uma língua com um pau torto, e como se tira a cera dos ouvidos com um pauzinho comprido com uma pequena cabeça na ponta e como, em seguida, se coloca essa mesma ponta debaixo do braço para limpar a cera à manga da camisa para depois limpar o outro ouvido :P
No meio daquela misturada estava tb uma moça vestida de anja que desesperava em receber umas esmolas pela sua atitude decorativa e de entretenimento naquele evento de domingo de manhã. Acontece que passava por ali um testemunha de Jeová à japonesa, que encalhou nela, e ali se fixou. O sr era japonês, logo aí pensei que fosse budista ou qq coisa parecida, mas trazia um solidéu na cabeça, o q me levou a crer que fosse judeu. Começou então a gesticular para com a anja, naqueles movimentos bruscos tão típicos da raça oriental que vemos nos filmes de artes marciais :P, e a dizer “Jesus te ama”, “é d’Ele que vem a salvação”, “e Nossa Senhora Sua mãe n sei quê...” ... ora os judeus n falam de Cristo nem de Nossa Senhora. Enfim, n importa, o homem estava com um andamento tal que desesperava a jovem anja que só queria ganhar uns trocos. À custa disso juntou-se uma multidão em círculo à sua volta a rir desmesuradamente com o discurso poético e fanático do japonês, que viu na anja um “anjo que trará dos céus a Mãe de Deus’ e que deveria com certeza de ser evangelizada.

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