Na pontinha do pé... a ver O Jardineiro Fiel
Vale a pena ver este filme. E vale a pena por muitas razões:
- é a primeira vez que o realizador brasileiro Fernando Meireles (realizador de “A Cidade de Deus”, que retrata a vida de um bairro afavelado do Rio de Janeiro, e que dá o nome ao filme) faz um filme estranjeiro, e estreou-se muito bem. O lançamento do filme cá no Brasil foi no Rio de Janeiro, que deslumbrou os actores e os fez prometer a voltar :D
- o actor principal é o Ralph Fiennes, eu também fez “O paciente inglês” e que, embora eu o ache um bocado parado e não seja grande fã, há quem goste muito, e por isso pode tb ser uma razão q vos leve ao cinema ver este filme.
- a actriz principal é a Rachel Weisz, que fez “O Júri” juntamente com o Dustin Hoffman, Gene Hackman e John Cusack. Se não viram este filme, então vejam, não só porque o thriller é muito bom e o filme está mt bem feito, como é uma crítica ao comércio ilegal de armas, neste caso nos EUA. O filme é espantoso porque gira em torno do julgamento das empresas de armas, e mostra como os júris são manipulados por outros interesses, mesmo sem darem conta disso!
- porque é um filme que critica os podres da sociedade de hj. Numa sociedade em que não existem Hitlers nem Estalines a descoberto, em que o comunismo e o secretismo parecem história,
toda a manipulação e desrespeito pelo ser humano esconde-se de várias formas manipuladas grandes poderosos. Ultimamente têm aparecido uma série de filmes que desvelam alguns destes abusos, como “O Júri”, o “Hotel Rwanda” que não vi , e “A intérprete”, em que a Nicole Kidman interpreta o papel de uma jovem africana que sofre a perda e expulsão da família do seu país em África, num enredo apaixonante, contracenando com Sean Penn, mas que, por trás do suspense policial, critica abertamente o governo do Mugabe no Zimbabwe. Agora chega até nós “O Jardineiro Fiel”, desta vez criticando o uso de cobaias humanas, noemadamente em África onde o preço de uma vida é tão barato... Gira em torno da indústria farmacêutica, que testa os seus produtos em cobaias humanas, mostrando que por vezes é mais barato esconder quem morre por efeitos secundários do seu medicamento, mudando os registos de forma a que essas pessoas nunca tenham existido, que gastar os milhões necessários à alteração de uma fórmula química cuja forma estabilizada talvez nunca venha a ser encontrada...
É o ataque à indústria farmacêutica, a forma como os grandes laboratórios trabalham, controlando os governos que, por sua vez, nos controlam - a nós, cidadãos. Meirelles cita o que considera uma contradição. "A indústria farmacêutica cria medicamentos que podem salvar vidas, mas, para fazê-los, testa sua eficiência em populações carentes que não passam de cobaias. E, depois, joga o preço desses remédios lá em cima, o que faz com que só possam ser consumidos por uma parcela ínfima da população mundial."

0 Comentários:
Enviar um comentário
Subscrever Enviar feedback [Atom]
<< Página inicial