Na Pontinha do Pé

sexta-feira, novembro 18, 2005

Na pontinha do Pé... até Montes Claros

Devo uma explicação do porquê de tantas fotos: para quem n saiba, falo parte de uma ONGD chamada MSV (Movimento ao Serviço da Vida) que, entre outros projectos de acção social em Portugal, faz missão no Brasil. Como a maioria dos membros do MSV são estudantes, damos os 2 meses de férias q temos para vir até ao Brasil. Por outro lado, de vez em qd há quem abdique do seu trabalho e da sua vida familiar em Portugal para lá passar um ano, vivendo em simplicidade e oração, para ajudar os outros.
Em 2001 fiz missão nos meses de Agosto e Setembro. Éramos 7 (os 7 Magníficos :P lol) e ficámos a viver em casa do Ney (q aparece nas figuras). Andávamos em grupos e cada grupo visitava e ajudava mais intensamente num bairro: o meu foi Itatiaia (daí as fotos!)
A Rita Lancastre foi uma das & magníficas nesse verão de 2001, e resolveu dar este ano da sua vida para vir para MOC. Junto com ela este ano vireram mais dois corajosos: a Zázinha e o Jorge. Havia dois grandes projectos a montar: uma biblioteca e uma casa de acolhimento de meninos de rua.
O Jorge ficou com a biblioteca, e as meninas com a casa.
A biblioteca vai de vento em pôpa: têm um monte de livros devidamente catalogados, que. Diz o Jorge, são um bom conjunto para preparar bem quem quizer fazer o vestibular. Falta agora pôr tudo no computador. Sim, até têm 2 computadores, que os Padres Maristas lhes ofereceram :D
Quanto à casa para acolher meninos de Rua, chama-se Aquarela. Este nome surgiu por causa da música do Toquinho, de q eu já falei noutro post, mas q volto a insistir para que a oiçam (carreguem aqui). No Brasil as crianças têm escola só de manhã (ou só de tarde) e a tarde que lhes sobra (ou a manhã) utilizam para fazer asneiras, como cheirar cola, beber, roubar, etc. Os q n fazem disso trabalham no centro a engraixar sapatos, ou vendem coxinhas de frango, ou qq trabalho q lhes dá dinheiro para gastarem em chupas :D
A ideia desta casa é recolher as crianças mais necessitadas durante essa tarde (ou manhã) e q n estão na escola, e dão-lhes noções de higiene, todos tomam banho, lavam os dentes, comem uma refeição, são ajudados nos trabalhos de casa, têm aulas de capoeira, judo, hip-hop, origami, trabalhos manuais, pinturas... têm brinquedos e uma série de outros amigos para brincar. Têm educadores a tomar conta deles, e as famílias tb são devidamente acompanhadas pela assistente social (neste caso, a Zézinha), pq há mtos que n levam as crianças, outros q têm problemas em casa, n só de higiene, como de violência, falta de carinho e atenção, etc.
Desde o início do ano até Agosto a Rita e a Zézinha estiveram a pôr este projecto de pé: alugaram uma casa, contrataram os educadores, trataram da logística toda, e, a tarefa mais difícil, escolheram as 80 crianças que participam no Aquarela. Esta é a tarefa mais difícil porque muitas crianças ficaram de fora e... quem somos nós para decidir se esta criança vai e esta n? Se esta precisa mais que as outras? Todas precisam... e de que maneira! De qq forma, no dia 1 de agosto este projecto tornou-se realidade, e desde então que o Aquarela é fonte de vida naqueles bairros. Muitos Parabéns!

Entretanto o espaço é pequeno, e o projecto deve crescer mais e mais à medida que se puder, de modo a albergar todas as crianças que necessitem. Então já compraram um novo terreno, e a Zézinha, que é arquitecta, já está a tratar de construir a casa nova. Isto tudo com dinheiro de quem? Os grandes ajudantes são as Irmãs Escravas (que ajudam n só com dinheiro mas com as prórpias irmãs que lá trabalham e q apoiam os portugueses q lá vivem), os Padres Jesuítas, os Maristas e o MSV que não só impulsiona o projecto como financia na sua maioria. E o MSV vive de quê? de donativos, de vendas de cartões de Natal, de vendas de t-shirts, de jantares de beneficência... enfim, da boa vontade de todos. Por isso, quem quiser ajudar (este, e todos os outros muitos projectos do MSV) aqui fica a conta bancária. Qq coisa, por mt pequenina q seja, ajuda...e de que maneira :D

Conta do BPA: 451 525 88 ou NIB: 003 300 000 004 515 258 828

Continuando a nossa conversa, q estava tão animada :P calculam a emoção q n foi voltar a este lugar :D calculam o grande bocado de nós mesmos q cá deixamos cada vez que cá vimos :D e é isso q mostram as fotos: uma fotografia vale mais que 1000 palavras, e estas valem com certeza :D Aproveitei q a Rtia, a Zézinha e o Jorge estavam em MOC para dar lá um pulinho (só 17hrs de ônibus!!) e, juntamente com o Marcos que está a trabalhar no sul e SP e q tb fez proj de verão lá há 7 e 9 anos, lá fomos. Foi bom! Foi mt bom! :D

Foi bom rever os portugueses que já conhecia, foi bom conhecer os portugueses com quem ainda n me tinha cruzado, foi bom ver como uma simples passagem por lá deixa tão boas recordações a quem vai e a quem nos recebe, foi bom voltar a ver aquelas ruas, ficar com os pés enlamenados, atravessar a ponte de Murici cheia dos mosquitos que andam em cima do lixo jogado na valeta... tinha saudades do cheiro adocicado da favela, do cheiro da pele dos negros, tão bom, tão doce... tinha saudades de ouvir "Vamo chegá?" ou o "Tá cedo!"... tinha saudades de ver crianças a jogar à bola de havaianas sem tropeçar e cair :P, de passar pela rua e dizer bom dia a toda a gente, de tomar o café tão doce que os portugueses têm fama de n gostar, mas que a mim me sabe tão bem... tinha saudades das coxinhas de frango da Vó Coi, dos acessos de alegria da D. Petronila, do abraço forte no Ney e das chávenas de plástico encarnadas onde tomávamos o café da manhã, onde a Marta tomava chá à tarde e onde o Diogo batia natas para fazer manteiga... tinha saudades de dormir tão perto de um chão de areia, de ter q ter cuidado p n apanhar choques no duche e, no fim, ter q "enxugar" a água q fica no chão da casa de banho pq n há banehira!

Foi bom voltar a viver numa casa cheia de amigos, com as paredes cheias de pequenos quês que nos lembram a cada momento episódios bem passados... foi bom ter 6 pessoas a fazer o almoço, ter à porta de casa um monte de havaianas sujas e usadas, que ficaram là fora para n trazerem a lama para dentro... Foi bom ver como ainda há gente louca suficiente para acreditar que consegue mudar o mundo, que o pouco que se faz, por muito pouco que seja, vale a pena...

E para terminar deixo-vos um dos mails que a Rita nos mandou (é o post seguinte... para baixo: "Diário de um missionário"), e que desafio todos a ler. Aos que nunca leram, tenho a certeza q vão gostar, porque a Rita escreve tão bem, tão bem... de uma forma que nos prende e nos enche; aos que já leram, que repitam, pq de cada vez q se lê o coração bate mais rápido...

1 Comentários:

  • Olaaaa

    Daqui Ana acabadinha de chegar de Lisboa em terras bruxeloides com 6°.
    Pelas fotos e por tudo o que tens escrito estou a ver que estás muito contente.
    Contente eu fico por ti!!!
    Aproveita bem!!!
    Grande beijinho com saudades
    Aninhas

    Por Anonymous Anónimo, Às 21 novembro, 2005 00:50  

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