Na pontinha do pé... no teatro municipal
Com a vinda da Carol, namorada gaúcha do Rodrigo gaúcho, resolvemos dedicar uma tarde a visitar o teatro municipal. Há visitas guiadas e à borliú a este edifício, e por isso fomos. 
Francisco Ramos de Azevedo foi o arquitecto deste belíssimo edifício, assim como
da maior parte das mansões dos barões do café que outrora povoaram a Av. Paulista. Estudou na Europa e quis trazer para SP o luxo francês, pelo que construiu este teatro inspirando-se na Opera de Paris. As semelhanças são evidentes, embora este Teatro seja bastante mais pequeno. Foi construído para receber as orquestras estrangeiras e companhias de teatro que estavam de visita a SP, na sua época áurea. Entravam por estas portas os vestidos compridos importados da Europa, o barulho das sedas enchia o hall de entrada e as escadarias.
Os materiais são quase todos importados do continente europeu, excepto as duas grandes colunas de granito que se erguem a todo o pé direito do hall de entrada: mármores de Carrara, quadros de mosaico veneziano, frontais de gesso de artistas italianos, os espelhos, os vitrais, o lustre de não sei quantos mil cristais… Todos os materiais chegaram de barco, e foi essa uma das razões pelas quais o Teatro demorou tanto tempo a construir. 
As boas madeiras e a enorme quantidade de folha de outro utilizada devem ser brasileiras, que tem estes materiais em maior quantidade e de melhor qualidade que qq outro país do mundo!
Hj em dia este Teatro deixou de ser só de “visita” e, além de receber, juntamente com a Sala SP, as melhores orquestras do mundo, tem tb duas ou três orquestras fixas, uma companhia de dança, outra de teatro, n sei quantos grupos corais…
Entra-se por um grande hall onde se abre uma escadaria bifurcada ao centro e que
dá acesso aos balcões superiores da sala de teatro. A sala em si n é mt grande (mais pequena que o Coliseu dos Recreios), mas é muito rica: só tem 3 camarotes centrais para o Presidente do Brasil, para o Governador do Estado de SP e para o Secretário da Cultura; os balcões têm uma forma curiosa e são em ferro folheado a ouro; a plateia tem cadeiras de madeira forradas a veludo verde, muito cómodas; o palco n é grande, tem o típico fosso para a orquestra e, muito curiosamente, tem um órgão cujos tubos ladeiam o palco. Nunca tinha visto órgão de tubos numa sala de teatro, assim como nunca tinha visto um teatro em verde: passadeira verde, cortinas do palco verdes, cadeiras da plateia verdes… muito bonito, por sinal. 
No andar de cima, do lado da frente, há uma sala, antigo salão de recepções e que mesmo hj em dia só é utilizado para recepções de estado, que tem ao longo da parede interior três “portas” de vidro, à semelhança dos que podemos ver no Salão de Baile de Versailles, mas em vez de serem 10, ou 12, ou 20… são 3 :D Todo o tecto pintado com frescos de um brasileiro, rapaz pobre e que veio estudar para SP. Ao tomar conhecimento do seu talento, D. Pedro II financiou o seu estudo em França, e foi esta a última bolsa de estudo de arte que o Imperador deu, e o dito rapaz tornou-se num grande pintor.
Todos os motivos que decoram esta sala têm a ver com o teatro, a música ou a dança: as pinturas mostram tocadores ambulantes ou conhecidas peças de teatro, todos os remates são esculpidos com máscaras de Carnaval e carantonhas teatrais, no cimo de cada espelho tem um medalhão com os bustos de Mozart, Verdi e Bethoven.
E, para rematar, as janelas são todas em ferro e com vidros pintados, como só vemos nas antigas estufas de plantas que as casas senhoriais tinham nos jardins, para conservar e manter as plantas mais frágeis.
Pode-se tb visitar as “catacumbas”, que n são nada catacumbas: é apenas uma grande área com as colunas de tijolos e que formam pequenas abóbadas (parece a Adega dos Frades da Cardiga, para quem conheça, em tamanho anão), e que são a estrutura de suporte do edifício. Foram construídas apenas com esse fim, e, com os anos, foi ficando soterrada com terras e porcarias. Na última restauração do Teatro descobriram esta sala e desentupiram-na, e hj em dia é utilizada para exposições e cocktails. Outra coisa que descobriram foram frescos numa sala que usam como bar, e que foram pintados e repintados durante as ocupações das revoluções que usaram esta sala como escritórios. Ao recuperar o Teatro descobriram que por baixo da pintura se encontravam uma série de frescos, já meio estragados, e que n chegaram a recuperar por falta de orçamento…
Outra curiosidade é o túnel subterrâneo que visitei por especial favor, e que liga o teatro Municipal à fonte do Vale do Anhangabaú por baixo de terra. Tinha a única função de arejar o Teatro, já que na altura n havia ares condicionados!!, e a respiração fazia-se por este túnel.
Tive tb oportunidade de ir às varandas cujas vistas se estendem pelas ruas do centro e pelo Vale do Anhangabaú.

Ah, e lembram-se de eu ter dito q na Pinacoteca tinha visto duas estátuas enormes de gesso que eram dois homens que parecia que suportavam aos ombros o tecto do edifício?? Eram os moldes de gesso das estátuas que hj enquadram a entrada do Teatro Municipal.

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