Na Pontinha do Pé

terça-feira, dezembro 06, 2005

Na pontinha do pé... passeando pelo centro num dia de sol

Com tanto passeio em SP, e n consegui tirar nenhuma foto de jeito, pq esteve sp a chover! A primavera já cá chegou, mas o tempo ruim continuou, e foi preciso eu ir embora de SP para o sol vir. De qq forma, numa 6ª feria, acordei e estava um sol radioso! Dita a minha curta experiência que, em SP, qd faz mt calor de manhã, geralmente chove à tarde, e qt mais sol faz, maior é q queda de água que se segue!
Mas n importa, tanto sol merecia um passeio, e eu queria tirar fotos a tudo, de novo, para ter boas fotografias, ou vcs todos achariam que SP é horrível, e n é!
O lugar mais bonito de SP é o centro, e o mais perigoso tb! Mas depois de tanto tempo por cá, perdi o medo e lá fui eu. Truque: bolsa debaixo do braço, máquina fotográfica na mão, e ir sempre a andar. Sempre sempre a andar, e só parar de posto em posto de polícia :P
A “vorta” foi:

1º percurso: ônibus até ao fim da rua da consolação e…
1ª paragem: Igreja da Consolação - a construção mais pesada e medieval que vi por estas terras. Está em obras por isso n dá muito bem para fotos!


2º percurso: a pé pela Av. do Ipiranga até à Praça da República.
2ª paragem: camelôs da Av. do Ipiranga. É pena que toda esta rua e a praça estejam em obras (deve ser do metrô), por isso, mais uma vez, n dá muito bem para ver o q lá tem, e muito menos para tirar fotos! No centro da praça tem um edifício qq importante q ng me soube dizer ao certo o q era, mas é qq coisa de estado. Entretanto estas ruas estão cheias de gente a vender tudo e mais alguma coisa, pirateado, claro! CDs, DVDs, roupa, bujigangas…

3º percurso: virar para a R. 24 de Maio (a rua dos camelôs) e desembocar no Teatro Municipal.
3ª paragem: em frente ao Teatro para tirar fotos. Paragem breve e bem agarrada aos sacos, com muita gente a olhar, e por isso dar cordinha aos pés e pôr-se a andar.


4º percurso: descer a escadaria da fonte do Teatro e mergulhar no Vale do Anhangabaú.
4ª paragem: parar pelo Vale, mas n chegar bem a parar pq, no meio da relva, deitados no chão e pelos bancos está um fauna dúbia que mais vale n olhar nem prestar atenção e continuar para a frente. Mas dá para apreciar o vale cheio de palmeiras, dar uma olhadela aos Viadutos do Chá e de Santa Efigênia, ver bem o Edifício Martinelli, andar pelo avenidão de calçada portuguesa, cheio de relva e palmeiras e mais uma data de árvores floridas…


5º percurso: virar na Av. de S. João.
5ª paragem: pelas lojinhas de CDs da Av. de S. João. Esta avenida foi uma das três primeiras ruas que durante anos constituíram o triângulo central da cidade de SP. É uma avenida larga e comprida, com prédios antigos e muito altos, calçada portuguesa, hj em dia meio desabitada e com muitas lojecas antigas e semi-falidas, sem clientela, e q vendem coisas velhas. Olha-se para esta rua e consegue-se imaginar perfeitamente o tempo de ouro desta cidade, os carros antigos e os homens de cartola e bengala a passear pela rua…


6º percurso: continuar pela Av. de S. João.
6ª paragem: parar no Largo do Arouche, de que toda a gente fala, e apanhar uma desilusão pq este largo n tem nada para ver! Nada mesmo! Tem lá um hotel q parece bastante concorrido, e é por isso que este largo deve ser conhecido… (até rima, heim?)

7º percurso: continuar pela Av. de S. João (é enorme! Mesmo!!) e virar à direita na Av. Duque de Caxias. Fazer esta rua até ao largo Princesa Isabel.
7ª paragem: parar no largo e tentar desencantar a dita Princesa, porque no alto do pilar que está no centro do largo aparece um homem a cavalo… afinal é o Duque de Caxias! Então… cadê a Princesa Isabel? Aproveitar tb para ver a última paragem do ônibus q eu apanhava todos os dias para ir da USP para casa, e q diz na testa “Term. Princ. Isabel”. Olhar tb para o fundo da Av. Duque de Caxias, onde já se avista a torre da Estação Júlio Prestes.


8º percurso: terminar a Av. Duque de Caxias até à Estação Júlio Prestes.
8ª paragem: apreciar esta bela Estação de Trem, onde se encontra a Sala São Paulo, e que foi tão bem restaurada e reutilizada.


9º percurso: ladear a Estação Júlio Prestes e esbarrar com a Estação Pinacoteca.
9ª paragem: entrar na Estação Pinacoteca. Eu já tinha falado da Pinacoteca do Estado, q é o museu de arte de SP, e que era um edifício que foi originalmente construído para ser Faculdade de Belas artes, blá blá blá… mas esta é a estação Pinacoteca, que era um edifício de um antigo órgão do estado, e que virou museu. Tem outras obras que complementam a outra Pinacoteca, e, principalmente, uma série de exposições volantes. Uma grande exposição que lá apanhei foi da nossa Paula Rego, com os seus quadros macabros e impressionantes, mas que estacam toda a gente à sua frente, com ar mais ou menos enojado, mas a verdade é que todos lá param!
Tinha uma série de outras exposições de artistas menos conhecidos, e de materiais menos usados: gravuras (não só a parte em papel como os moldes metálicos todos, as tintas…), filmes, imagens com e sem som, pinturas, esculturas dos materiais mais incríveis…
E, no rés do chão, uma cronologia da história do Brasil e de SP.

10º percurso: contornar a Estação Pinacoteca e andar até à estação da Luz.
10ª paragem: na Estação da Luz. Parece que o arquitecto desta estação foi o mesmo da estação central de Amesterdão. Foi restaurada (ainda restam algumas obras!) e está muito bonita, toda pintada. Vale tb mt a pena entrar e ver as estruturas de ferro que suportam o tecto da estação, assim como o hall de entrada onde se encontram as bilheteiras, e que respira a “antigamente”.

11º percurso: atravessar a estrada até à Pinacoteca.
11ª paragem: aproveitar para tirar fotos a este edifício tão bonito, pq chovia a potes qd vim visitar o museu. Entrar o restaurante, comer uma bela refeição :D (já eram 3hrs da tarde) e descansar os pés… Apreciar a exposição de fotografias que o restaurante expõe.

12º percurso: passear pelo parque da Pinacoteca (Parque do Largo da Luz). É um parque mt bonito, n só pela natureza que por aqui, como todos sabem, é linda, mas tb pq tem casinhas pelo meio, bancos e fontes, e arte espalhada pelo jardim: correntes de cocos esculpidos pendurados pelas árvores, coretos, armações de ferro…
É por isto que digo q em SP se respira arte :P


O tempo começou a fechar, eu nem tinha trazido chapéu de chuva pq ia andar mt e n queria vir carregada. Além disso o passeio estava só planeado para de manhã pq, afinal de contas era 6ª feira, e tinha que ir à USP fazer qq coisa… Enfiei-me rapidamente dentro de um ônibus q dizia q passava na Brigadeiro Luiz Antônio, que é uma avenida perto da qual está a galeria de arte do Gustavo Rosa. Já vos falei dele? Acho q n, mas a seu tempo virá… Acontece q o Sr. Martins ia fazer anos, e eu ofereci-lhe um quadro. Fui então à galeria buscar a moldura e o passe-par-tout necessários, e tinha mesmo q ser nessa 6ª feira, ou n daria tempo. Enfim, já estava eu nesse ônibus qd cai uma carga de água…. Mas uma quantidade de água inimaginável. E depois, em vez de cair pouca água e durante muito tempo, não: cai tudo de uma vez!! Estava o ônibus quase a chegar à rua da galeria (a molha ia ser pequena) quando vira para outra rua, para o lado contrário ao q eu queria ir, e eu a afastar-me cada vez mais do meu destino! Resolvi sair. Afinal, a trânsito estava parado e n dava para pegar um ônibus em sentido contrário. Ainda esperei q a chuva amainasse um pouquito, mas, qual quê! Enfim, arrisquei, e fui a correr, com a mochila debaixo do braço para tentar n molhar a máquina fotográfica e o tlf, etc… até consegui: a chuva estava de lado, e, embora eu estivesse bastante molhada de cima, de frente e do lado esquerdo, o lado direito até se safava. Só que atravessei uma rua, e, quando estava no passeio central, o sinal fechou, e os carros começaram a andar (a alta velocidade! N é por causa da água que se abranda nesta terra!). Claro q com estas chuvas as estradas já estavam entupidas e cheias de poças, e eu apanhei banho dos carros pela frente, por trás, pelos lados.. n havia por onde fugir… fiquei tão molhada, tão molhada, mas tão molhada… só restou baixar as armas e ficar a rir no meio da rua, à chuva. As pessoas q transitavam na rua ainda saltavam de casa em casa, de telheiro em telheiro, a evitar a chuva, mas eu já caminhava no meio da estrada. Não imaginam o estado de “tomar banho vestida” a que eu cheguei à porta da galeria. Ao menos pus toda a gente a rir :P Pintores, emolduradores, empregados e secretárias. N queria entrar p n molhar todo o chão, mas lá me deram umas toalhas e, no fim, carona para casa :P E assim se fazem boas amizades :D

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