Na pontinha do pé... na feirinha do MASP
Ao Domingo São Paulo enche-se de feirinhas das mais variadas coisas espalhadas pelos quatro cantos da cidade. Ora o MASP é o Museu de Arte de São Paulo, e tem uma série de obras centenárias e muito boas, brasileiras, e que mostram a evolução da arte deste país ao longo dos anos. Encontram-se muitas naturezas mortas, muitas paisagens do Brasil colonial e que os primeiros descobridores pintaram. Tem tb um andar só de arte contemporânea com quadros de um gosto execrável e repugnante, ao lado de antigos quadros impressionistas das escolas francesa e italiana que n podiam contrastar mais!
O edifício do MASP é curioso: trata-se de um paralelepípedo preto sustido em duas colunas verticais vermelhas. Curioso, mas muito feio! A pensar que neste lugar estava o famoso Palácio do Trianon de que todo o mundo fala, tb construído por Ramos de Azevedo, e que deu nome ao parque que nasce em frente (do outro lado da Av. Paulista) e que ainda hj existe. Este casarão foi o primeiro a ser derrubado, especialmente para dar origem a este monstro de alto gabarito arquitectónico, cuja autora foi uma arquitecta renomée que eu n sei o nome!
Debaixo desse paralelepípedo ficou uma área q serve para exposições, ou simplesmente para nada, que é exactamente o que lá se passa durante toda a semana: nada!
Ao Domingo enche-se de barraquinhas bem organizadas em que os vendedores expõem várias antiguidades que mais n são que porcarias achadas recolhidas e juntas de forma a compor um ramalhete digno do nome “antiguidade”!
Muitos relógios, antigos e n só, de pulso, bolso e de parede; muitas louças de serviços antigos; jogos de talheres de café e chá compostos por restos de antigos faqueiros de prata desirmanados, mas cuja parecença ainda engana algum comprador menos atento; santos e santinhos com dedos partidos, olhos tortos e bocas mal pintadas; estátuas de musas do Olimpo em porcelanas lascadas; frascos de perfumes com pulverizadores; cachimbos e tesouras de charutos; pulseiras e colares e outras bujigangas cheios de amuletos de macumba e pedras com poderes espíritas…
Ao sair dali encontram-se todos os artistas (vulgo, pedintes) que n têm espaço nem autorização de exporem lá dentro (ou seja, são ilegais) e que se põem com suas barraquinhas (leia-se “panos estendidos no chão”) com um rol imenso de colares de sementes e brincos de escamas de peixes que conjugam com penas das araras que criam em casa só com o fim de lhes arrancarem as penas mais azuis do rabo! Encontram-se tb pintores sem nome, mas cujos quadros mereciam muitos mais estar dentro do MASP que alguns que realmente lá estão!
Passei por esses todos com muito mais atenção e gozo que pelo museu propriamente dito… comprei uma série de porcariazitas (colares, cintos, brincos, quadritos) mas que caracterizam o artesanato brasileiro e vão fazer felizes as minhas amigas que forem presenteadas.

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